Em fevereiro de 2025 estamos comemorando 80 anos da participação vitoriosa dos Pracinhas Brasileiros na Segunda Guerra Mundial.

Meu tio Joaquim Puertas Guerra (tio Ninho) esteve em Monte Castelo, no norte da Itália, e em outras batalhas, enfrentando o exército alemão.
Na nossa família temos a seguinte história: Meu avô Joaquim Puertas foi veterinário por experiência, criou porcos, vacas, cavalos e aves. Capava porcos e fazia o parto das fêmeas de animais, matava boi e vendia no açougue que possuía no Bairro de São Francisco da Praia.
Pela sua experiência, fazia também os partos da minha avó Josepha, e aplicava injeção nas crianças quando estavam doentes, foram 20 filhos.
Tentou ensinar os filhos a aplicar injeção, porém somente o tio Ninho e a Beatriz Puertas aprenderam. Com o passar do tempo isso acabou beneficiando a vida dos dois.
Meu tio Ninho contava, que quando chegou na guerra, disse que sabia aplicar injeção e foi encaminhado ao local onde era a enfermaria. Recebia e cuidava dos soldados doentes, segundo ele, a primeira coisa que faziam era aplicar uma injeção de morfina.
Já minha mãe a Beatriz, ficou viúva com 4 filhos para criar, foi trabalhar o INSS e no consultório de um médico. Nessa época o Estado pagava para a minha mãe ensinar as pessoas a aplicarem injeção, nas praias isoladas de Ilhabela. Mais tarde ela fez também curso de Auxiliar de Enfermagem e trabalhou no Hospital de Clínicas de São Sebastião até se aposentar.
Ainda sobre a guerra, contam que a minha avó Josepha estava costurando umas roupas, quando ouviu no rádio que a Segunda Guerra tinha acabado, ela então jogava as costuras para o alto e gritava:
– Graças à Deus!!! O Ninho vai voltar!!!!!
E ele voltou, casou-se com Antonia Romano Puertas, teve dois filhos: Almerindo e Valter Puertas. Viveu até os 74 anos e foi muitas vezes homenageado como Pracinha da Segunda Guerra Mundial.