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Coluna Educação Infantil & Cia: ‘Quando o brincar protege: o olhar sensível na educação infantil’, por Kelly Aquino

Foto de perfil da colunista Kelly Aquino.

Kelly Aquino é auxiliar de desenvolvimento infantil e licenciada em pedagogia.

Por Kelly Aquino.

Na rotina da educação infantil, cada criança revela, à sua maneira, formas únicas de se relacionar com o mundo. Algumas se adaptam com facilidade às atividades propostas; outras demonstram uma necessidade maior de movimento, exploração e autonomia.

Foi assim com um garotinho que chegou à creche cheio de energia. Comunicativo e inquieto, ele apresentava dificuldade em permanecer em sala ou participar de momentos coletivos, como a roda de música. Seu interesse estava em explorar: caminhar pelos espaços, descobrir ambientes e interagir com diferentes objetos — ainda que, por vezes, isso resultasse em pequenas desorganizações.

Mesmo não sendo a auxiliar de sua turma, o olhar atento para além do próprio grupo permitiu perceber suas necessidades. Observar, nesse contexto, é mais do que ver: é interpretar o comportamento da criança como uma forma legítima de expressão.

Em um momento sensível da rotina — o horário da saída —, enquanto as crianças aguardavam seus responsáveis e o portão permanecia aberto, o menino corria pela creche, exigindo atenção redobrada da equipe. Diante disso, uma estratégia simples e eficaz foi adotada: transformar o cuidado em brincadeira.

Por meio de um pega-pega, acompanhado de falas lúdicas como “vou te pegar”, foi possível manter a criança por perto, garantindo sua segurança sem recorrer a intervenções rígidas ou repreensões.

Nos dias seguintes, observou-se uma mudança significativa: o menino passou a procurar espontaneamente essa interação. Em meio à rotina, ele buscava a brincadeira, demonstrando que, ali, havia se estabelecido um vínculo de confiança.

Esse episódio evidencia um princípio fundamental da educação infantil: a relação entre adulto e criança é a base para qualquer processo de aprendizagem. É no vínculo, no respeito às individualidades e na escuta sensível que se constroem experiências verdadeiramente educativas.

Mais do que corrigir comportamentos, educar é acolher, compreender e criar possibilidades para que cada criança se desenvolva em seu próprio tempo — com segurança, afeto e dignidade.

Instagram: @kellyaquino544

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